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Romance: O escravo

Resumo de: Sergio Barcellos

Maria Helena tem quinze anos quando perde sua mãe, Dona Rosa, e se vê forçada a abandonar os estudos para cuidar da casa e do pai viúvo, além dos três irmãos mais novos. Roberto, irmão de Helena, estuda, trabalha e quer ser médico.

 

Roberto fica noivo de Maria Emília, filha única de uma família abastada. Para conquistar a família do noivo, Maria Emília se desdobra em atenção e oferece constantemente diversos presentes ao futuro genro, Pedro Lopes, e à futura cunhada, Helena. Na festa de casamento de Roberto e Maria Emília, Helena conhece Raul Amaral, com quem inicia um relacionamento. Maria Emília ganha de seu pai, como presente de casamento, um "palacete magnífico no centro de São Paulo", e um automóvel.

 

Com o nascimento do primeiro filho, Maria Emília descuida-se do marido e passa a se dedicar integralmente ao filho, Renato. Roberto sente-se rejeitado. Além disso, Maria Emília passa a desprezar a família do marido, que se sente cada vez mais infeliz no casamento.

 

Maria Helena se casa com Raul, com quem tem uma filha, Rosa, que nasce um ano depois de Renato, filho de Roberto e Maria Emília. Já em idade escolar, os primos Renato e Rosa se encontram na escola e se tornam grandes amigos. Renato entra na faculdade, mas a mãe tolhe todos os seus movimentos. Controla todos os seus atos, o que o faz se sentir como um prisioneiro. O que o alivia são as visitas constantes ao seu avô, Pedro Lopes, que vive com sua filha Helena e o marido, Raul. A aproximação de Renato com a família do pai irrita Maria Emília, que acusa Roberto de dar uma educação frouxa ao filho.

 

Na ocasião de uma festa na faculdade, Renato pensa em convidar Rosa como seu par, mas sua mãe discorda e impõe a Renato que vá com Marina, uma moça rica que deseja como sua nora.

 

Um dia, Renato decide levar sua tia Helena ao teatro. Divertem-se muito e, lá, apresenta-lhe Joel, um amigo de faculdade com quem Helena simpatiza imediatamente. Joel é convidado a visitar o lar de Helena, pois enfatiza o fato de ser órfão e nunca ter conhecido um lar de verdade.

Contra a vontade de Maria Emília, Renato fica noivo de Rosa. As irmãs de Helena, tias de Rosa, oferecem-se para ajudá-los com o enxoval do casamento. Decide sair de casa para casar-se com Rosa. Quando está arrumando suas coisas em casa para ir morar com Rosa, Renato é acometido por uma forte dor de cabeça e desfalece, sem poder ir ao encontro de Rosa, que o espera em vão. Ao se sentir abandonada pelo futuro marido, Rosa se desilude e fica doente também. Joel permanece ao seu lado, consolando-a e cuidando de sua saúde.

 

Após muita insistência de Maria Emília, Renato concorda em se casar com Marina. Nos meses seguintes, Renato percebe que Marina tem o mesmo temperamento controlador de sua mãe e percebe o quanto é infeliz no casamento. Isso o faz adoecer e ter um desempenho medíocre nos estudos. O diretor da faculdade explica a Renato que ele teve um "abalo mental" e que está "neurótico".

 

O surto de Renato acontece logo após ele tomar conhecimento do casamento de Rosa com Joel, agora um médico formado, enquanto Renato ainda está afastado dos estudos, impedido de se formar como médico por conta de sua saúde mental. Rosa engravida de seu primeiro filho. O fato deixa Renato ainda mais prostrado.

 

Marina, sua esposa, solicita a seu médico, Joel, que vá visitar Renato em casa, para examiná-lo. No entanto, o estado de saúde de Renato se complica. Sofre outro "abalo mental" e, dessa vez, começa a se comportar como um lunático. Visita diariamente a casa da tia. Joel, diante da presença constante de Renato na casa, se vê impelido a reclamar com Maria Emília.

 

O diagnóstico de Renato é, enfim, anunciado. Ele sofre uma neuropira, uma febre nervosa.

 

Quando Rosa dá entrada no hospital, para dar à luz, Renato tenta visitá-la, mas é impedido de entrar no quarto.  Com a piora no comportamento do marido, que a ignora e pensa somente em Rosa, Marina decide voltar a viver com a mãe. Antes, porém, de deixar a casa do marido, Roberto, seu sogro, promete-lhe que internará Renato em uma casa de saúde. Oferece-se para levar Marina até a casa de sua mãe, onde conversa com elas e se compromete a pagar a pensão para Marina, pois Renato não trabalha e não tem fonte de renda.

 

Rosa dá à luz a duas crianças, um casal. Ao saber da notícia, Renato liga para o seu avô para obter mais detalhes. Seu estado de saúde piora ainda mais.

 

Maria Emília vende suas joias para arrecadar fundos para pagar as despesas da internação de Renato na casa de saúde. Em entrevista com o diretor do manicômio, Maria Emília é informada de que teria sido ela quem causou a enfermidade do filho, ao contrariar seus desejos. O médico assim descreve o estado atual de Renato: "tristezas acumuladas que convergiram para a loucura". A ideia de deixar seu filho sozinho no manicômio faz Maria Emília adoecer. O diretor do hospital aconselha-a a passar uns tempos lá, também, até se recuperar. Após alguns dias, Maria Emília decide retornar para casa.

 

Roberto passa a visitar Marina frequentemente. Tenta convencê-la a superar a tristeza. Através de seus conhecimentos, consegue um emprego para ela, como pianista de um teatro. Marina é bem recebida e passa a integrar a companhia dos atores. Com isso, passa a viajar com eles para outras cidades, para se apresentarem em teatros. Marina faz sucesso com o público e começa a chamar a atenção dos homens. Ela inicia uma carreira solo como cantora e grava um disco, que faz bastante sucesso.

 

Dois anos se passam e Renato ainda está internado no manicômio. Seu avô, Pedro Lopes, falece. Rosa tem, já, vários filhos.

 

Roberto está cada vez mais infeliz e começa a perambular pela cidade, sem rumo. Um dia, desatento, atravessa a rua sem olhar e é atropelado por um carro. Sua morte é instantânea. Agora sozinha e viúva, Maria Emília decide contratar uma senhora, Dona Carmen de Melo, para servir-lhe de companhia.

 

Em seu retorno à cidade, Marina visita Renato no manicômio. Ao se deparar com o estado do ex-marido, opta por permanecer em São Paulo, onde vive entre a casa da mãe e da ex-sogra. Um dia, enquanto lê o jornal, Marina se depara com a notícia de que Joel também fora atropelado e que está em estado grave no hospital. Liga para saber notícias e é informada de que Joel acabara de falecer.

 

Marina decide passar uma noite no manicômio, junto de Renato. O médico revela que aplicara uma injeção de hormônios em Renato e que ele sentirá desejo sexual por Marina. Os dois dormem juntos e Renato amanhece um outro homem. Neste mesmo dia, decide deixar o manicômio. Renato, porém, ainda não sabe das recentes mortes na família. No retorno ao lar, Renato e Marina vivem felizes. Ela engravida e ele começa a trabalhar em uma farmácia. Rosa volta a morar com os pais, depois da morte de Joel. Um dia, recebe a visita de Marina, Renato e Maria Emília.

Após a visita, Rosa confidencia a sua mãe ter tido uma recaída ao ver Renato, que evitou contato com ela para não ferir os sentimentos de Marina. Renato, por outro lado, fica comovido ao ver a aparência física de Rosa: "Estava aniquilada. Os cabelos grisalhos e as unhas ao natural sem esmalte".

 

Renato prossegue com sua vida, preparando o enxoval do filho que vai nascer e trabalhando na farmácia. Sob o pretexto de ter muito trabalho, não vai para casa almoçar com a esposa e com a mãe. Em vez disso, visita a tia, joga xadrez com o tio e dá presentes e brinca com os filhos de Rosa. Apesar de tudo estar correndo bem, sente-se infeliz quando percebe que ainda ama Rosa. Pensa: "Somos escravos de tudo que desejamos possuir. Ninguém é livre neste mundo. Há diversas espécies de escravidões. Meu Deus, meu Deus!" Marina, por sua vez, percebe a melancolia de Renato e reza para não perder o bebê, pois somente um filho faria Renato ficar com ela.

 

Diante da constatação de que Rosa está tendo dificuldades financeiras, Renato oferece-lhe  ajuda. Ela pede-lhe um favor: que venda os equipamentos médicos do consultório de Joel para pagar as despesas da casa. Helena e Raul, Rosa e os filhos ficam contentes com a ajuda de Renato. Um dia, Raul chega em casa e não vê Helena sentada à mesa, como de costume. Pergunta por ela, e Rosa diz que está no quarto. Raul tem um mal pressentimento: "Será que a fatalidade está nos espreitando?". Raul e Rosa se dirigem ao quarto de Helena e abrem a porta.

 

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